Um presságio na Estância
Teresa, mulher valente, guerreira e dedicada daquelas terras, pegou aquela vela branca entre as palmas ásperas de suas mãos como quem empunhava uma espada que serviria para salvar a própria vida. Fechou os olhos esverdeados e lacrimejados e começou a rezar. Ela tinha certa intimidade com Nossa Senhora. Todos os dias, sem faltar, quando acordava, no meio da tarde e antes de dormir, ela encostava no oratório com uma vela na mão e um terço na outra. Fazia os mesmos pedidos colocando a mesma força em cada palavra. Nossa Senhora já conhecia Teresa de tempos. Viu-a chorar a morte de seu marido Pedro Tenório e amparou-a com sua graça quando o baixaram naquela cova em meio aos campos verdes da Estância. Foi Nossa Senhora quem a ajudou adormecer na primeira e longa noite sem o seu companheiro. Nossa Senhora conhecia bem os percalços da grande guerra que pintava de rubro os campos riograndenses, sentia as angústias das mulheres nas estâncias espalhadas pela república e amparava uma a uma com tod...