Estandarte Negro Parte I
Estandarte Negro – parte I – A Ascensão
Cidade de Gali – Sul do Brasil – Ano de 2023
O jipe empoeirado do exército chega ao acampamento trazendo o investigador Omar Martines, um homem de 45 anos de idade, cabelos pretos e curtos bem penteados e barba rala por fazer. Ele é formado na Escola do MOSSAD e tem anos de experiência em investigações de crimes de Estado, além de ser professor universitário do curso de História na Faculdade da cidade. Junto dele está a jornalista Esther Ramires, do principal jornal da região, uma mulher atraente de pele morena e cabelos cacheados com seus lindos olhos verdes. O sul do Brasil está sofrendo com a força com que o islamismo está se alastrando e influenciando a população, onde àqueles que se opõem à religião são tratados como escórias da sociedade. A jornalista renomada Esther Ramires está trabalhando em uma matéria desde que o governo do estado passou à ser da responsabilidade de Fahel Aziz Hadshi, do conservador PFS – Partido da Frente Salvadora.
“Meninas cristãs estão servindo apenas para uma coisa: satisfazer os desejos dos homens muçulmanos”, diz Esther enquanto desce do jipe com sua bolsa e câmera, batendo a poeira da sua roupa. O investigador Omar Martines, do grupo secreto de anti-terrorismo deste governo desce do jipe observando a força de vontade daquela linda jornalista de cabelos cacheados e olhos verdes. Eles são recebidos pelo capitão Severo, do exército da cidade de Gali, que pede que os acompanhe até a barraca armada da Força do Exército.
Dentro da principal barraca do acampamento estão o general Loocks e dois sargentos ao redor de uma mesa improvisada.
– O que já sabemos? – chega Esther questionando e já largando seus pertences em um canto da mesa.
O general Loocks faz sinal para que um dos sargentos ligue o vídeo no notebook em cima daquela mesa improvisada. Todos se acomodam em frente a tela para assistir ao vídeo recém recebido pelo grupo de buscas do exército. O mesmo tem início com a imagem de botas pretas pisando pesado e firme sobre pedregulhos até chegar em um pequeno conjunto de arbustos, onde já se encontram diversas pessoas, parecendo que esperando algo a acontecer.
Em duas jaulas de ferro de 5 por 5 metros, lado a lado, estão várias jovens com idade entre 13 e 17 anos. Expressões assustadas por detrás de rostos lindos e cabelos bagunçados. A mão calejada do general Loocks pousa sobre o teclado do notebook dando pause no vídeo. Ele encara o olhar apavorado de Esther e do investigador Omar.
– As meninas cristãs são consideradas bens a serem arruinadas ao bel prazer. Abusar delas é um direito. E de acordo com a mentalidade da comunidade não é sequer um crime. Os jihadistas consideram elas como espólio de guerra. – diz o general.
A severa lei islâmica, ou como chamam, a Sharia, é mais rígida ainda com as mulheres. De acordo com o Alcorão, os homens têm a “autoridade” sobre as mulheres e têm o direito de espancá-las se elas forem “desobedientes”. Esther estava com o pensamento distante e falou alto: “pois é, eu sei”.
– Como é que é Esther? Você sabe? Sobre o quê? – questiona o general.
A jornalista passa a mão nos cabelos cacheados antes de responder.
– Alcorão, 4:34. Segundo Maomé, as mulheres são menos inteligentes que os homens. E que o testemunho de um homem equivale ao de duas mulheres. E que a maior parte da população do inferno é composta por mulheres…
Ela encara os rostos masculinos lhe admirando.
– Pois é, eu estudei o Alcorão. – diz Esther.
– E por isso digo que Maomé está errado. – complementa Omar. – Não é menos inteligente que nenhum de nós aqui. Garanto que o seu testemunho é equivalente ao de qualquer um. E tenho certeza que o inferno não a conhecerá.
O general Loocks interrompe o assunto dando play no vídeo, onde a barbárie continua acontecendo. Um homem com vestes muçulmanas pretas se aproxima das jaulas de ferro com uma tocha acesa nas mãos. Ele pronuncia algumas palavras em árabe antes de jogar a tocha ensopada em gasolina no meio das jaulas e o fogo se alastrar rapidamente consumindo os corpos daquelas crianças e adolescentes que nem tiveram tempo de suplicar por ajuda.
A jornalista Esther já havia visto muitas coisas em sua vida, mas aquela cena lhe revirou o estômago e ela tirou os olhos da tela do notebook virando o rosto e procurando por uma lixeira para vomitar.
– Você está bem? – questiona Omar indo lhe ajudar.
Esther faz sinal de positivo com a mão. Omar vai até a bombona de água e enche um copo levando para a jornalista.
– Eu não acredito que estes filhos da puta foram capazes disso, detetive!
Esther bebe a água. Omar se escora na parede olhando a aproximação do general Loocks.
– E agora general? – pergunta Omar.
– Agora é com vocês. – responde o general Loocks.
O objetivo de Omar é ir a fundo nas investigações e prender o grupo jihadista por trás destas barbáries, enquanto o objetivo da jornalista Esther é levar à tona uma matéria jamais vista sobre as atrocidades cometidas por este grupo, principalmente contra estas vulneráveis presas jovens.
Dois Dias Depois
A bela jornalista está sentada na frente de um notebook sobre uma mesa caindo aos pedaços em uma pequena sala, onde funciona a redação do jornal em Gali. Ela está concentrada redigindo sua matéria quando escuta murmúrios na sala principal. Olha por cima da janela de vidro e vê o investigador Omar se aproximando. Levanta-se e já vai abrindo a porta ao seu encontro.
– Detetive!
– Esther… – ele a puxa para dentro da sala fechando a porta.
Esther assusta-se com a atitude do detetive. Omar, assim como a jornalista, já estava fazendo seu trabalho como o general Loocks pediu, mas descobrira algo que pode mudar o rumo de tudo.
– Você ainda não publicou a matéria, não é mesmo? – pergunta Omar.
– Não! – responde Esther assustada.
O investigador Omar Martines puxa a cadeira sentando em frente ao notebook da jornalista. Indo fundo em suas investigações descobriu coisas horríveis e, inclusive, coisas que podem fazer todo o plano ir por água abaixo, se quiserem manterem-se em segurança.
– Olha você mesmo! – diz Esther, apontando o notebook para Omar.
– Eu até sei dos podres deste governo. Está tudo aí. É um click meu e tudo vem à tona. Aí eu quero ver se tudo isso vai continuar.
– E vai. – diz Omar.
– Você não pode publicar nada disso! Ou eu, você, o general, vamos todos ser vítimas ou reféns destes crápulas! – Omar respira fundo, pede para Esther sentar-se à sua frente e explica para a jovem e determinada jornalista que a imprensa está sendo censurada pelo atual governo e que, embora ele atue para o serviço secreto do mesmo, sabe que tudo é somente fachada. Ele também fala para Esther que os jihadistas estão aptos à irem atrás de qualquer jornalista que publicar algo que vá contra os seus ideais.
Esther é e sempre foi uma mulher de fibra. Nunca ligou para estas coisas e, quem a conhece sabe que as palavras de Omar entrariam por um ouvido e sair pelo outro. E que ela vai seguir sua intuição e fazer o que o seu coração acha certo: informar toda a população de Gali, todos os podres desta influência islã no estado.
A bela jornalista escuta atenta as palavras de Omar. Concorda com ele, mas é somente ele virar as costas e sair e ela se volta às suas digitações com o intuito de jogar toda a “merda” no ventilador. Ela observa através do vidro o investigador se retirando da redação. Olha para a tela do seu notebook aquelas várias páginas de matéria. No fundo ela sabe do real perigo que corre, mas passa página por página e acredita que todo este esforço de meses não pode ser desperdiçado. Inquieta, observa seus colegas jornalistas do outro lado do vidro. Bate com ambas as mãos na própria cabeça.
– Pensa, pensa, pensa Esther. Não seja besta. Faz a coisa certa, mulher! – diz ela para si mesma.
Mais tarde
Esther, com sua bolsa à tira colo, cara de cansada e passos firmes, dobra a esquina do parque principal entrando na rua 13 sem saída, rumo até sua casa no final da mesma. Ela já está acostumada àquele trajeto e nunca teve maiores problemas embora se tratasse de uma região um tanto perigosa. Porém, todos ali já lhe conheciam e conheciam seus pais. O vento está forte naquela noite e obriga a jornalista a parar, fechar seu casaco e prender seus cabelos cacheados que voam com a ventania. É quando uma van cinza sem identificação de placas estaciona ao seu lado. Saem de dentro dois homens com vestes muçulmanas e armas nas mãos. Assustada, a jovem jornalista tenta correr, mas é alcançada por um dos homens que a puxa com força, derrubando sua bolsa, e a joga dentro da van. O outro homem, calmamente, se agacha, junta a bolsa, abre-a, revira seus documentos, pegando-os e guardando-os consigo, pega a câmera e o celular que estão dentro e joga a bolsa na beira da calçada. Ambos entram na van novamente, dão a partida e somem sem terem sido reconhecidos por ninguém.
O dia seguinte amanhece chuvoso. Omar Martines observa alguns documentos escorado na janela vendo a chuva que pinga enquanto também saboreia uma xícara de café quente. Algo lhe chama a atenção no documento em que está lendo. Ele larga a xícara sobre a soleira da janela já procurando pelo seu celular. Procura pelo número de Esther e aperta a tecla verde.
–“Atende Esther, atende”, diz ele pra si mesmo.
A chamada cai na caixa de mensagem após várias chamadas.
– “Droga”! – esbraveja Omar.
Ele liga novamente e desta vez a chamada já vai direto para a caixa de mensagem.
Em algum lugar não identificado, os dois homens que sequestraram a jornalista adentram em um barraco escuro. Um deles acende uma lanterna e então, lá está a jovem jornalista Esther, de joelhos no chão com ambas as mãos amarradas para trás e a boca com uma mordaça. Ela arregala os olhos assustada quando vê os dois homens.
– O que faremos com essa aqui? – pergunta um dos homens.
– Não faço ideia! Acho que o general vai vir resolver isso aí! Por enquanto deixa jogada aí. Deixa ela pensar nas besteiras que ela pensa em fazer, quem sabe muda de ideia. – responde o outro homem.
Esther se debate tentando se desvencilhar das amarras e resmunga tentando dizer algo. Sim as tentativas são em vão. Um dos homens se aproxima e coloca a ponta da faca contra seu pescoço, fazendo-a calar.
– Não pensa que tu vai fazer falta pra alguém, porque não vai não, sua piranha! Um chilique a mais e eu juro que empurro essa faca fundo na tua garganta.
Desde que o islamismo teve sua entrada facilitada no Brasil e mais precisamente no sul do país, com o governante do PFS – Partido da Frente Salvadora, o caos tem se formado e se alastrado de maneira sem controle. Ainda que muitos adeptos à religião islâmica, a defendam como uma filosofia pacífica, o avanço do extremismo islâmico – respaldado pelo Alcorão – não nega as vertentes de violência que regem a crença.
Os dois jihadistas se retiram do barraco deixando Esther ali aos prantos. Os olhos da jornalista se enchem de lágrimas e, sem esperança, ela se deixa cair para a frente de cara no chão.
Omar Martines desce a escadaria da frente do edifício comercial do governo em meio a uma incessante chuva fria. Liga o alarme e entra no seu carro. Não ter conseguido falar com a jornalista Esther lhe deixou preocupado, apreensivo, com dúvidas e medo. Sabe exatamente em que ela estava se “metendo” e sabe que com o que ela estava lidando seria muito perigoso. Ele liga o carro e dá a partida, quando o seu celular toca.
– Pronto! – diz Omar segurando o celular no ouvido com uma mão e com a outra segurando o volante.
Na redação do jornal, o editor-chefe está de pé diante do notebook ligado usado por Esther. Ele está com o telefone no ouvido.
– Mas eu tô achando que ela ia publicar tudo o que sabe, detetive…o problema é que ela não apareceu para trabalhar hoje e o celular está desligado…mandei um motoboy agora mesmo até a casa dela…estou preocupado detetive.
Mais tarde
O motoboy enviado adentra a sala do editor-chefe onde Omar já está presente junto.
– E então? – pergunta o editor-chefe.
O motoboy baixa a cabeça em sinal de lamento. Retira do bolso da jaqueta uma sacola plástica e larga sobre a mesa.
– O que é isso? – pergunta Omar.
– Vejam por vocês mesmo. Encontrei jogada na beira da calçada.
Omar revira a sacola plástica e encontra a bolsa de Esther.
– Não é possível! – diz o editor-chefe.
– Pedi nos vizinhos. Ninguém ouviu nada. Ninguém viu nada. – responde o motoboy.
As ações do grupo extremista estavam ocorrendo a todo vapor. Todos tinham conhecimento, mas nunca ninguém ouvia nem via nada. A calada da noite era o horário predileto para tais ações mais secretas. E desaparecer com Esther com certeza estava como ponto alto daquele grupo.
Omar esbraveja segurando forte e com raiva a bolsa da jornalista. Sente e sabe que as coisas estão fugindo do controle. Agir será preciso o quanto antes para evitar maiores danos…
Enquanto isso no barraco escuro
Esther, atirada ao chão, escuta barulhos de pessoas se aproximando. Levanta o olhar com dificuldade e um clarão toma conta do lugar por alguns instantes, somente a tempo daqueles jihadistas mascarados empurrarem mais três pessoas algemadas para dentro do barraco.
– Quietos aí! – grita um dos jihadistas.
Os dois homens maus se retiram e tudo escurece novamente, ficando o barraco com os choros e lamentos das pessoas ali dentro.
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